15 de outubro de 2008.
Até agora tudo era apenas uma tentativa de esquecer o que pertencia ao seu mundo e que continuava nos meus gestos, dias e pensamentos. Até esse instante era só vontade de ir embora de vez, de não olhar pra trás nem por um segundo. Mas, eu sei muito bem que você consegue enxergar a mesma coisa que eu enxergo, não por coincidência. Estamos dizendo adeus de um jeito permanente, que não terá mais volta. Nunca mais. Uma eternidade até o fim de nossas vidas.
É normal, é do seres humanos, se encontrarem e se perderem em semanas, meses, anos e rostos de amigos de amigos. Se tornarem uma lembrança qualquer no fundo da memória, enfim. É normal perder coisas e valores que não se repõem outra vez. E eu perdi algo que não consigo reencontrar. Poderia ter sido pior, então não reclamo. Fui trazida pra cá, e é aqui mesmo que coloco um ponto final. Não estou triste, nem me sentindo estranhamente feliz. É algo quente, mais quente que essa primavera que começou a despertar entre as flores típicas.
Quero que sinta a chama do meu isqueiro entrar na sua pele, devagar. Queimar você aos poucos, como queimo essas fotos.Você morre na minha fogueira neste exato minuto, meu amor. E eu prometo, eu vou aprender com cada um desses erros, que foram principalmente seus.