Algo aconteceu e não sei o porque. Simplesmente aconteceu. E talvez algum de vocês já sentiu isso também. É uma dor invisível. Aguda e extremamente perigosa. Corta por dentro, sangra, e faz arder de um jeito louco o que há tão pouco tempo estava intacto e cicatrizado.
Ai, estou tão perdida! Me sinto desgastada de tentativas e de lugares novos da minha mente. Tento ser neutra e sábia. A verdade é que estou vazia por dentro, falta um pedaço enorme. Tente compreender, apenas ar e frieza me preenchem agora.
- Dentre todas as coisas que puder me ensinar não me ensine apenas uma, eu te suplico. Seria uma tortura muito grande.
- Há poucas coisas negras. Poucas e deixam marcas profundas.
- Eu tenho pavor. Me sinto traída de um modo terrível, talvez o pior de todos.
- Traída estou eu. Aqueles meus sonhos sempre foram impossíveis. Sinceramente, não existe liberdade, não para mim.
- Não me ensine esquecer as pessoas.
- Peço desculpas, minha querida.
- Pelo o quê?
- Aprendi perder pessoas. E aquelas que um dia eu jurava nunca perder. Foi por capricho e egoísmo. E eu me sinto horrivelmente mal.
- Eu te entendo perfeitamente.
- Não quero voltar, mas não suporto aqui onde estou.
- Você escolheu assim, sabe disso.
- Me ajude a consertar. As ilusões principalmente.
- Não posso.
- Então não posso me sentir bem nem sequer por um segundo, é isso?
- Meu amor, faz tempo. Você já me perdeu.
sábado, 18 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Dias frios.
No caminho de volta pra casa, naquele dia, através das enormes janelas daquele ônibus, o vidro absorvia o frio que tirava inconscientemente a saúde de meus gestos. A visão falhou um pouco e comecei a ver as coisas um pouco nubladas. Ou será que aquele era o jeito certo de se ver? Basta alguma coisa acontecer ou não acontecer que começamos a imaginar e pensar filosofias recém-inventadas.
Olhe pro céu, talvez o sol esteja atrás dessas nuvens grossas. A primavera, talvez esteja atrás dessas mesmas nuvens também. Então procure comigo. Observe bem nos vãos cinzas e não ache nada além da minha esperança manchada e suja. Não pense que perdi a fé aqui dentro, dentro do meu peito. Ela nunca escorreu até os meus pés com as águas da chuva, tampouco caiu em cima de minha cabeça como um raio. E antes que pergunte: não, eu não estou pronta pra isso. Não estou pronta pra ver objetos, textos, pessoas e valores ser consumidos pelo fogo, na tentativa de virar a página nisso tudo e sair sorrindo sem que o excesso do calor das chamas me cegue ainda mais.
A pior coisa é quando, de repente e de forma cruel e nostálgica enxergamos que o que antes era grande, brilhante, bonito e forte virar algo triste, triste e nada mais que algo negro. A pior coisa foi quando percebemos que a magia escapava pelos vãos dos meus dedos, aos poucos. E sim, não tenho vergonha de dizer que simplesmente, eu sou sem graça agora. E nesses dias frios, à procura de qualquer calor, acabei congelando meu coração por você.
Olhe pro céu, talvez o sol esteja atrás dessas nuvens grossas. A primavera, talvez esteja atrás dessas mesmas nuvens também. Então procure comigo. Observe bem nos vãos cinzas e não ache nada além da minha esperança manchada e suja. Não pense que perdi a fé aqui dentro, dentro do meu peito. Ela nunca escorreu até os meus pés com as águas da chuva, tampouco caiu em cima de minha cabeça como um raio. E antes que pergunte: não, eu não estou pronta pra isso. Não estou pronta pra ver objetos, textos, pessoas e valores ser consumidos pelo fogo, na tentativa de virar a página nisso tudo e sair sorrindo sem que o excesso do calor das chamas me cegue ainda mais.
A pior coisa é quando, de repente e de forma cruel e nostálgica enxergamos que o que antes era grande, brilhante, bonito e forte virar algo triste, triste e nada mais que algo negro. A pior coisa foi quando percebemos que a magia escapava pelos vãos dos meus dedos, aos poucos. E sim, não tenho vergonha de dizer que simplesmente, eu sou sem graça agora. E nesses dias frios, à procura de qualquer calor, acabei congelando meu coração por você.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Quando fico assim.

Eu tive que partir e agora eu tenho um medo absurdamente grande de pensar que tudo que vivi, as risadas e os momentos mais agradáveis não passaram de um sonho e que o laço forte, bonito e brilhante que nos juntara não tenha sido nada insubstituível, ainda mais com essa distância. Eu mudei, e vocês continuam as mesmas. Não que eu esteja decepcionada, nada disso. Mas eu sempre fui diferente demais, sempre quis fazer algo corajoso: viver minha vida sem correntes me prendendo. Não estou arrependida, não mesmo. É que na verdade eu não gosto nem um pouco de imaginar que um dia desses vocês irão me esquecer, quando tocarem alguns acordes de alguma música numa rodinha de violão. Parece estúpido e sem algum sentido... tenho certeza que esse dia não vai demorar tanto assim.
Sempre reclamava do tempo, de como demorava as aulas, os intervalos, as conversas. E agora, como eu faço pra ele não escapar assim? Não posso voltar, não consigo voltar. Na realidade, só quero uma coisa. Sinceramente, a única coisa que desejo, com todas as boas vibrações que guardo nesse pedaço que sobrou do meu coração. Sei que não posso exigir nada. Então, desejo que vocês não se percam nunca, de mim.
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