Quero ser direta dessa vez, como eu nunca fui: não sinto raiva, nem ódio. Não tenho dores agudas que quase me afogaram dentro dessa bolha d'água uma vez. Não estou tão assustada assim, nem ao menos tão vazia quanto antes. Algo me preenche sutilmente. Já até consigo sentir meu coração batendo forte às vezes. O vento aconchegando meu rosto, aquela adrenalina no organismo, a ansiedade tirando o sono. Não vou negar que algo ainda me incomoda mas sei que não é para sempre... e se for? É dentro de mim que se devora e se consome, não de você. Bem que poderia me libertar, não estou implorando. É o minímo que poderia fazer depois de largar as ruínas aqui, depois de achar que nunca foi sua culpa. Estou fazendo minha parte, reagindo e sendo forte e arrancando da minha vida o passado para que finalmente, o futuro comece a interferir.
Por que nada consegue ser tão intenso como antes? Apenas intenso, como uma fatalidade...
Eu criei um mundo, criei você perfeita na minha mente, exatamente como eu queria te ver. Te chamei de Leslie e agora está morta. Estou superando e ainda espero algo que te redima, que dê o seu perdão. Um único ato nobre de sua parte. Não é um presente, pois te dei tantas e tantas chances. E não há nada mais que possa dizer? Você nunca foi covarde, meu bem.
Agora o tempo acabou, tudo irá se apagar em poucos minutos. E Nesses anos que já vejo em minha frente, não há nada seu, nem sequer uma lembrança. Amanhã, acordarei e você não será meu raio-de-sol, não mais. Nem marca ou cicatriz em meu corpo. Nem um pedaço podre grudado no meu coração, ou uma mancha nessa alma. Não será o ar que eu respirarei, ou o suspiro quando eu olhar as estrelas. Não será o desejo contido, ou as várias lágrimas que chorarei por algum motivo. Não será mais a pessoa que um dia eu escolheria pra amar eternamente, para passar o resto da vida ao meu lado, a pessoa que um dia eu teria escolhido pra me casar. Não será vento, chuva, lama, ou fogo. E eu não serei mais sua, nem ao menos a única pessoa que te amou.
Depois de seis anos, espero com todas as esperanças e fé (que nunca morreram em mim) que não tenhamos memória, que sejamos peixes dourados, meu amor. Nós merecemos.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
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