segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Até a última chama.


15 de outubro de 2008.


Até agora tudo era apenas uma tentativa de esquecer o que pertencia ao seu mundo e que continuava nos meus gestos, dias e pensamentos. Até esse instante era só vontade de ir embora de vez, de não olhar pra trás nem por um segundo. Mas, eu sei muito bem que você consegue enxergar a mesma coisa que eu enxergo, não por coincidência. Estamos dizendo adeus de um jeito permanente, que não terá mais volta. Nunca mais. Uma eternidade até o fim de nossas vidas.

É normal, é do seres humanos, se encontrarem e se perderem em semanas, meses, anos e rostos de amigos de amigos. Se tornarem uma lembrança qualquer no fundo da memória, enfim. É normal perder coisas e valores que não se repõem outra vez. E eu perdi algo que não consigo reencontrar. Poderia ter sido pior, então não reclamo. Fui trazida pra cá, e é aqui mesmo que coloco um ponto final. Não estou triste, nem me sentindo estranhamente feliz. É algo quente, mais quente que essa primavera que começou a despertar entre as flores típicas.

Quero que sinta a chama do meu isqueiro entrar na sua pele, devagar. Queimar você aos poucos, como queimo essas fotos.Você morre na minha fogueira neste exato minuto, meu amor. E eu prometo, eu vou aprender com cada um desses erros, que foram principalmente seus.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

De ontem.

Ela veio. E estava novamente em meus sonhos. Não, não é delírio dessa vez. Depois de muito tempo, lá estava ela: com os mesmos sorrisos, mesmos olhares e as mesmas expressões. Tudo era igual, mas já havia mudado milhões e milhões de vezes. Apenas tentávamos ser nós mesmas e educadas ao mesmo tempo. E era quase impossível.
- Não vai me dar "oi"?
- Você não merece.
- Estou tentando ser educada, não vire a cara deste jeito.
- Fingimentos, joguinhos e teatrinhos têm limite até mesmo se vier de você.
- O que quer dizer? Nunca fui falsa, sabe muito bem. Já que julga me conhecer melhor do que eu mesma.
- Nunca foi falsa, muito menos verdadeira. Nada, sempre foi nada. Sei que me entendeu.
- Já disse e muitas vezes, não podia. Simplesmente, não podia.
- Então irá realmente entender. Também não podia, faça com que essa verdade penetre em seu cérebro, e não saia durante muito tempo. Talvez, um dia quem sabe, você dará os mesmos passos desgovernados pelas ruas em que passei, e verá os restos dessa cidade cinza, ou verá o que deixei em cada esquina: os meus restos. Reze por eles. Por cada um desses meus restos, de ontem.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Enquanto é tempo.

Durante muito tempo pensava o quanto era errado lembrar de cada palavra sua e dos efeitos que causaram dor nesses últimos meses. Agora vejo que errado eram esses pensamentos. Era quase um feitiço, uma maldição na verdade. Comecei a reagir. E antes que ria da minha cara ou me chame de ingênua, acordo toda manhã e imagino o que um dia farei quando te encontrar por aí, por que te encontrar será inevitável.
Às vezes queria esquecer de vez e não abrir os olhos para não ter que recordar. Só que não tenho o que esquecer. Tenho o que concluir, e encerrar esse capítulo. Te dei amor e minha amizade e mesmo assim jogou fora. Então te jogarei no lixo. Se alguém um dia perguntar de você não responderei. Minha vida é longe da sua. Antes éramos de mundos diferentes sob a mesma atmosfera. E as partículas microscópicas de sua respiração chegavam até mim. Sua doença era contagiosa e eu não era imune. A partir daí, as minhas piores atitudes veio de seus valores ridículos, da qual se orgulhava tanto em ter. Pensa que é nobre, e na realidade é a imperatriz de lama e esterco. A elite do submundo. Hipócrita, falsa, e limitada. Do seu reino de merda e fedor eu quero distância. Algum tempo atrás, um pouco depois de sua demonstração de covardia e ignorância, sentia pena de sua personalidade manipulada. E um dos piores sentimentos humanos é pena, o que já, nem isso sinto mais por você.
Se alguma vez te esbarrar no metrô ou em ruas conhecidas e vier falar comigo por educação, te direi isso, exatamente assim, ou talvez apenas modifique algumas palavras.
Quero muito que saiba que tenho nojo, muito nojo de tanto tempo ter te visto hipnotizada, com olhos vidrados num tipo de pessoa que menos suporto. Pode até ser que hoje o que sinto seja ódio puro, transbordando de minhas veias, e que depois me sufoque e se vire contra mim. Mas não irei mais fugir e mentir quem realmente sou, agora que verdadeiramente sinto que não estou vivendo por você.

sábado, 18 de outubro de 2008

Entre remendos.

Algo aconteceu e não sei o porque. Simplesmente aconteceu. E talvez algum de vocês já sentiu isso também. É uma dor invisível. Aguda e extremamente perigosa. Corta por dentro, sangra, e faz arder de um jeito louco o que há tão pouco tempo estava intacto e cicatrizado.
Ai, estou tão perdida! Me sinto desgastada de tentativas e de lugares novos da minha mente. Tento ser neutra e sábia. A verdade é que estou vazia por dentro, falta um pedaço enorme. Tente compreender, apenas ar e frieza me preenchem agora.
- Dentre todas as coisas que puder me ensinar não me ensine apenas uma, eu te suplico. Seria uma tortura muito grande.
- Há poucas coisas negras. Poucas e deixam marcas profundas.
- Eu tenho pavor. Me sinto traída de um modo terrível, talvez o pior de todos.
- Traída estou eu. Aqueles meus sonhos sempre foram impossíveis. Sinceramente, não existe liberdade, não para mim.
- Não me ensine esquecer as pessoas.
- Peço desculpas, minha querida.
- Pelo o quê?
- Aprendi perder pessoas. E aquelas que um dia eu jurava nunca perder. Foi por capricho e egoísmo. E eu me sinto horrivelmente mal.
- Eu te entendo perfeitamente.
- Não quero voltar, mas não suporto aqui onde estou.
- Você escolheu assim, sabe disso.
- Me ajude a consertar. As ilusões principalmente.
- Não posso.
- Então não posso me sentir bem nem sequer por um segundo, é isso?
- Meu amor, faz tempo. Você já me perdeu.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dias frios.

No caminho de volta pra casa, naquele dia, através das enormes janelas daquele ônibus, o vidro absorvia o frio que tirava inconscientemente a saúde de meus gestos. A visão falhou um pouco e comecei a ver as coisas um pouco nubladas. Ou será que aquele era o jeito certo de se ver? Basta alguma coisa acontecer ou não acontecer que começamos a imaginar e pensar filosofias recém-inventadas.
Olhe pro céu, talvez o sol esteja atrás dessas nuvens grossas. A primavera, talvez esteja atrás dessas mesmas nuvens também. Então procure comigo. Observe bem nos vãos cinzas e não ache nada além da minha esperança manchada e suja. Não pense que perdi a fé aqui dentro, dentro do meu peito. Ela nunca escorreu até os meus pés com as águas da chuva, tampouco caiu em cima de minha cabeça como um raio. E antes que pergunte: não, eu não estou pronta pra isso. Não estou pronta pra ver objetos, textos, pessoas e valores ser consumidos pelo fogo, na tentativa de virar a página nisso tudo e sair sorrindo sem que o excesso do calor das chamas me cegue ainda mais.
A pior coisa é quando, de repente e de forma cruel e nostálgica enxergamos que o que antes era grande, brilhante, bonito e forte virar algo triste, triste e nada mais que algo negro. A pior coisa foi quando percebemos que a magia escapava pelos vãos dos meus dedos, aos poucos. E sim, não tenho vergonha de dizer que simplesmente, eu sou sem graça agora. E nesses dias frios, à procura de qualquer calor, acabei congelando meu coração por você.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Quando fico assim.


Eu tive que partir e agora eu tenho um medo absurdamente grande de pensar que tudo que vivi, as risadas e os momentos mais agradáveis não passaram de um sonho e que o laço forte, bonito e brilhante que nos juntara não tenha sido nada insubstituível, ainda mais com essa distância. Eu mudei, e vocês continuam as mesmas. Não que eu esteja decepcionada, nada disso. Mas eu sempre fui diferente demais, sempre quis fazer algo corajoso: viver minha vida sem correntes me prendendo. Não estou arrependida, não mesmo. É que na verdade eu não gosto nem um pouco de imaginar que um dia desses vocês irão me esquecer, quando tocarem alguns acordes de alguma música numa rodinha de violão. Parece estúpido e sem algum sentido... tenho certeza que esse dia não vai demorar tanto assim.
Sempre reclamava do tempo, de como demorava as aulas, os intervalos, as conversas. E agora, como eu faço pra ele não escapar assim? Não posso voltar, não consigo voltar. Na realidade, só quero uma coisa. Sinceramente, a única coisa que desejo, com todas as boas vibrações que guardo nesse pedaço que sobrou do meu coração. Sei que não posso exigir nada. Então, desejo que vocês não se percam nunca, de mim.

domingo, 28 de setembro de 2008

Perto do fim.

Nunca deixaram você falar ou ser quem realmente é. Não que isso esteja acontecendo, foi apenas um pensamento que me ocorreu há um tempo atrás. Ninguém nunca deixou que eu gostasse de você, como se tivesse mudado alguma coisa nesse roteiro. Mesmo sem permissão, eu amei a cor do seu cabelo iluminado pelo sol e o modo que sorria pra qualquer pessoa ou pra mim, prestava atenção em cada detalhe. E continua a mesma, com tantas mudanças e anos perdidos. Continua a mesma para mim, a mesma imagem que tive quando te vi pela primeira vez, aquela garota que idealizei. E você mudou, da água pro vinho de um jeito que não queria, mas mudou. Não havia nada que pudesse impedir.
Aqui na minha mente eu quero que continue assim. Do jeito como sonhei que era e como poderíamos ser hoje, mesmo se nem por um segundo sequer eu lembrar de como éramos, de como nos comportávamos.
Deformamos tanto nosso passado, e eu coloquei tanto entulho e ressentimento no presente por sua causa. E não imagino meu futuro, e agora eu vou esquecer, simplesmente vamos fazer um faz-de-conta e tudo vai desaparecer quando contarmos até três. Se conseguir enxergar aquela estrela, ali no céu, na parte mais azul e pedir, logo um outro dia vai nascer muito rápido. E nesse caso acho melhor eu nunca mais ver seu rosto novamente, meu amor. Sua pele branca e pura continua a se espalhar nas memórias que insisto em guardar apenas por teimosia. E assim se contrasta com a escuridão que todas as forças externas se transformaram. Simplesmente não consigo esquecer. Você está longe mas, ainda continua sendo minha dor e a desilusão. Aliás, a única coisa que deixou pra mim foi desilusão. Não se preocupe, minha querida. Estou bem. Estou muito bem. Talvez isso seja uma despedida. Não que eu vá me sentir triste ou rejeitada. Escolhi te deixar para trás, eternamente. Fazer seu rosto queimar no meu inferno. Quero que saiba: você não fará mais parte do meu passado, seu lugar nunca foi aqui, ou em qualquer lugar. Sempre afastou de perto todas as pessoas que um dia te demonstraram o que mais procura nessa sua vida medíocre, mesmo estando sozinha é dotada de um orgulho estúpido. Fique bem aí onde está. Com seus feitiços e defeitos, tente ser feliz assim, é o mínimo que pode fazer neste momento. Um dia sentirá necessidade de conversar com alguém, com qualquer um. Não conte comigo. Estarei no fim dessa história acenando pra você, e desta vez eu brilharei novamente, e sorrirei não por maldade.
Pode ser que realmente me lembre do seu nome até o dia em que minha vida acabar se nada disso der certo. Mas agora eu sinto sua falta menos e menos ainda. Os dias passam, e depressa. Talvez seja a primavera, o alívio e o calor para os nossos corações. Ou talvez meu amor, nós tenhamos finalmente, aprendido a dizer adeus.

sábado, 27 de setembro de 2008

Última tempestade.

O dia amanhece mais uma vez nessa cidade, nesse bairro. Às vezes por mais triste que isso possa soar, preferia que não nascesse, não desse jeito. Por que simplesmente, essa luz na janela iluminando as paredes do quarto de amarelo através dessas frestas irregulares, só me faz lembrar que estou sozinha. E que não estou tão feliz assim. Tento levantar, e sinto o ar quente ao meu redor. Não é alegria, e meu coração começa queimar numa dor aguda. Eu sei muito bem que você não está mais aqui, e sua presença de algum jeito ainda tenta me abraçar. Então vejo o dia passar lento, se arrastando e eu puxo alguma conversa com as sombras que ficaram pra me acompanhar no caminho de ida pra qualquer lugar, e canto alguma coisa pelo caminho de volta pra casa; olho as árvores, as folhas crescem e vão embora com o vento morno.
- Você me deixa assim, olha só, sou um caso perdido. Não sei viver sozinha, pareço uma lunática, uma depressiva sem amor. - Penso, quando está pra anoitecer. Todos os sentimentos ficam vulneráveis a qualquer coisa.
- Me deixe ir embora. - Suplico, como se você pudesse me ouvir, quase grito pra sala vazia. E as cortinas me encaram com uma expressão triste.
- Isso foi o que não levou de volta, espero que esteja feliz. - Declaro, como se fosse a última carta que nunca receberá. Que nunca terá em suas mãos.
- E eu tenho medo, um medo muito grande de não ter o mesmo brilho saindo dos meus olhos. - Confesso, me observando no espelho. Um olhar vazio num reflexo turvo.
- Não quero ficar presa a isso por muito mais tempo. Não suportaria apenas amar de verdade uma vez na vida. - Tento enxergar se há alguma coisa de profundo em mim mesma, e só vejo o que tento esquecer, o que quero que vá embora e volte nunca mais.
- Talvez eu estivesse menos mal se tivesse morrido. Me deixado pra sempre, sem alguma chance de te encontrar em qualquer semana pelas ruas. Sem ter essa sorte e azar. - Quase imploro, e fecho os olhos.
- Vá embora! Não gosto mais de nada que venha de você. - Então choro, choro muito. As lágrimas enchem o colchão, molham meu rosto e escorrem para o travesseiro. Não consigo arrancar, deixar isso embora. É parte de mim. Assim, neste transe, durmo como pedra. Sem sonhos reconfortantes. E você me aparece. Como uma visão e me fala coisas torturantes, e eu finjo concordar em ir embora. A culpa é minha, concordo em fazer com que você morra em mim. Maldito orgulho, maldito amor suicida. Depois o cheiro que você tinha, o perfume que costumava usar preenche a atmosfera, se encaixa em mim. E fica impregnado em minhas narinas, me enlouquece, me faz falta. Você me faz muita falta, é uma mancha em minha memória, em minhas lembranças, passagens da minha pós-infância, na minha alma... enfim; Me dê permissão de chorar, de sofrer todos os dias e todos os meses até seu aniversário, ou até o próximo verão, ou talvez o inverno. Quem sabe na outra primavera que um dia vai vir pra mim, eu consiga lembrar do teu rosto como você tivesse sido uma pessoa interessante que um dia encontrei em qualquer lugar. Queria, insanamente eu sei, escutar sua voz.Me diga pra ir embora. Me deseje o que ainda tem que desejar, me diga que estou livre, e que posso sim me apaixonar novamente sem lembrar do que passou. Me pergunte se está tudo bem. Eu queria tanto ouvir sua voz, ver seu rosto, ver que seu sorriso era real, sentir o seu perfume, ver que eu posso viver com sua ausência pra sempre. Queria te levar pra casa. E colocar um final nisso.
- Essa é última vez. Por favor, meu amor, pela última vez.