sexta-feira, 14 de novembro de 2008

De ontem.

Ela veio. E estava novamente em meus sonhos. Não, não é delírio dessa vez. Depois de muito tempo, lá estava ela: com os mesmos sorrisos, mesmos olhares e as mesmas expressões. Tudo era igual, mas já havia mudado milhões e milhões de vezes. Apenas tentávamos ser nós mesmas e educadas ao mesmo tempo. E era quase impossível.
- Não vai me dar "oi"?
- Você não merece.
- Estou tentando ser educada, não vire a cara deste jeito.
- Fingimentos, joguinhos e teatrinhos têm limite até mesmo se vier de você.
- O que quer dizer? Nunca fui falsa, sabe muito bem. Já que julga me conhecer melhor do que eu mesma.
- Nunca foi falsa, muito menos verdadeira. Nada, sempre foi nada. Sei que me entendeu.
- Já disse e muitas vezes, não podia. Simplesmente, não podia.
- Então irá realmente entender. Também não podia, faça com que essa verdade penetre em seu cérebro, e não saia durante muito tempo. Talvez, um dia quem sabe, você dará os mesmos passos desgovernados pelas ruas em que passei, e verá os restos dessa cidade cinza, ou verá o que deixei em cada esquina: os meus restos. Reze por eles. Por cada um desses meus restos, de ontem.

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