sexta-feira, 14 de novembro de 2008

De ontem.

Ela veio. E estava novamente em meus sonhos. Não, não é delírio dessa vez. Depois de muito tempo, lá estava ela: com os mesmos sorrisos, mesmos olhares e as mesmas expressões. Tudo era igual, mas já havia mudado milhões e milhões de vezes. Apenas tentávamos ser nós mesmas e educadas ao mesmo tempo. E era quase impossível.
- Não vai me dar "oi"?
- Você não merece.
- Estou tentando ser educada, não vire a cara deste jeito.
- Fingimentos, joguinhos e teatrinhos têm limite até mesmo se vier de você.
- O que quer dizer? Nunca fui falsa, sabe muito bem. Já que julga me conhecer melhor do que eu mesma.
- Nunca foi falsa, muito menos verdadeira. Nada, sempre foi nada. Sei que me entendeu.
- Já disse e muitas vezes, não podia. Simplesmente, não podia.
- Então irá realmente entender. Também não podia, faça com que essa verdade penetre em seu cérebro, e não saia durante muito tempo. Talvez, um dia quem sabe, você dará os mesmos passos desgovernados pelas ruas em que passei, e verá os restos dessa cidade cinza, ou verá o que deixei em cada esquina: os meus restos. Reze por eles. Por cada um desses meus restos, de ontem.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Enquanto é tempo.

Durante muito tempo pensava o quanto era errado lembrar de cada palavra sua e dos efeitos que causaram dor nesses últimos meses. Agora vejo que errado eram esses pensamentos. Era quase um feitiço, uma maldição na verdade. Comecei a reagir. E antes que ria da minha cara ou me chame de ingênua, acordo toda manhã e imagino o que um dia farei quando te encontrar por aí, por que te encontrar será inevitável.
Às vezes queria esquecer de vez e não abrir os olhos para não ter que recordar. Só que não tenho o que esquecer. Tenho o que concluir, e encerrar esse capítulo. Te dei amor e minha amizade e mesmo assim jogou fora. Então te jogarei no lixo. Se alguém um dia perguntar de você não responderei. Minha vida é longe da sua. Antes éramos de mundos diferentes sob a mesma atmosfera. E as partículas microscópicas de sua respiração chegavam até mim. Sua doença era contagiosa e eu não era imune. A partir daí, as minhas piores atitudes veio de seus valores ridículos, da qual se orgulhava tanto em ter. Pensa que é nobre, e na realidade é a imperatriz de lama e esterco. A elite do submundo. Hipócrita, falsa, e limitada. Do seu reino de merda e fedor eu quero distância. Algum tempo atrás, um pouco depois de sua demonstração de covardia e ignorância, sentia pena de sua personalidade manipulada. E um dos piores sentimentos humanos é pena, o que já, nem isso sinto mais por você.
Se alguma vez te esbarrar no metrô ou em ruas conhecidas e vier falar comigo por educação, te direi isso, exatamente assim, ou talvez apenas modifique algumas palavras.
Quero muito que saiba que tenho nojo, muito nojo de tanto tempo ter te visto hipnotizada, com olhos vidrados num tipo de pessoa que menos suporto. Pode até ser que hoje o que sinto seja ódio puro, transbordando de minhas veias, e que depois me sufoque e se vire contra mim. Mas não irei mais fugir e mentir quem realmente sou, agora que verdadeiramente sinto que não estou vivendo por você.