sábado, 18 de outubro de 2008

Entre remendos.

Algo aconteceu e não sei o porque. Simplesmente aconteceu. E talvez algum de vocês já sentiu isso também. É uma dor invisível. Aguda e extremamente perigosa. Corta por dentro, sangra, e faz arder de um jeito louco o que há tão pouco tempo estava intacto e cicatrizado.
Ai, estou tão perdida! Me sinto desgastada de tentativas e de lugares novos da minha mente. Tento ser neutra e sábia. A verdade é que estou vazia por dentro, falta um pedaço enorme. Tente compreender, apenas ar e frieza me preenchem agora.
- Dentre todas as coisas que puder me ensinar não me ensine apenas uma, eu te suplico. Seria uma tortura muito grande.
- Há poucas coisas negras. Poucas e deixam marcas profundas.
- Eu tenho pavor. Me sinto traída de um modo terrível, talvez o pior de todos.
- Traída estou eu. Aqueles meus sonhos sempre foram impossíveis. Sinceramente, não existe liberdade, não para mim.
- Não me ensine esquecer as pessoas.
- Peço desculpas, minha querida.
- Pelo o quê?
- Aprendi perder pessoas. E aquelas que um dia eu jurava nunca perder. Foi por capricho e egoísmo. E eu me sinto horrivelmente mal.
- Eu te entendo perfeitamente.
- Não quero voltar, mas não suporto aqui onde estou.
- Você escolheu assim, sabe disso.
- Me ajude a consertar. As ilusões principalmente.
- Não posso.
- Então não posso me sentir bem nem sequer por um segundo, é isso?
- Meu amor, faz tempo. Você já me perdeu.

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