segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dias frios.

No caminho de volta pra casa, naquele dia, através das enormes janelas daquele ônibus, o vidro absorvia o frio que tirava inconscientemente a saúde de meus gestos. A visão falhou um pouco e comecei a ver as coisas um pouco nubladas. Ou será que aquele era o jeito certo de se ver? Basta alguma coisa acontecer ou não acontecer que começamos a imaginar e pensar filosofias recém-inventadas.
Olhe pro céu, talvez o sol esteja atrás dessas nuvens grossas. A primavera, talvez esteja atrás dessas mesmas nuvens também. Então procure comigo. Observe bem nos vãos cinzas e não ache nada além da minha esperança manchada e suja. Não pense que perdi a fé aqui dentro, dentro do meu peito. Ela nunca escorreu até os meus pés com as águas da chuva, tampouco caiu em cima de minha cabeça como um raio. E antes que pergunte: não, eu não estou pronta pra isso. Não estou pronta pra ver objetos, textos, pessoas e valores ser consumidos pelo fogo, na tentativa de virar a página nisso tudo e sair sorrindo sem que o excesso do calor das chamas me cegue ainda mais.
A pior coisa é quando, de repente e de forma cruel e nostálgica enxergamos que o que antes era grande, brilhante, bonito e forte virar algo triste, triste e nada mais que algo negro. A pior coisa foi quando percebemos que a magia escapava pelos vãos dos meus dedos, aos poucos. E sim, não tenho vergonha de dizer que simplesmente, eu sou sem graça agora. E nesses dias frios, à procura de qualquer calor, acabei congelando meu coração por você.

Um comentário:

Fernandr disse...

AGORA TACALOR MIAFIA!
hehe